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Edição de sexta-feira, 23 de outubro de 2026

Publicação mais recente do Radar Empresarial da Rumar Consultoria.

Finanças e Indicadores23 de outubro de 2026

Inadimplência recorde atinge 9,3 milhões de empresas: o problema vai além do custo do crédito

Dados divulgados pela Serasa Experian mostram que as dívidas empresariais alcançaram R$ 244,4 bilhões. O cenário exige atenção ao capital de giro, aos prazos financeiros e à capacidade das empresas de sustentar suas operações.

O que aconteceu

O Brasil registrou 9,3 milhões de empresas inadimplentes em agosto de 2026, o maior número da série histórica do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.

Os dados, divulgados em 20 de outubro de 2026, revelam crescimento de 14,3% no número de CNPJs negativados em comparação com agosto de 2025.

O valor total das dívidas registradas alcançou R$ 244,4 bilhões, distribuídos em 68,2 milhões de compromissos vencidos. Cada empresa inadimplente acumulava, em média, 7,4 dívidas.

As micro e pequenas empresas concentraram 8,8 milhões de CNPJs negativados, com dívidas que somavam aproximadamente R$ 211 bilhões.

Os números também mostram que a dificuldade financeira não está restrita aos empréstimos bancários. Segundo o levantamento, 75,6% dos registros de dívidas negativadas estavam associados a credores não financeiros.

Esse percentual representa a quantidade de registros, não sua participação no valor total devido.

Por que isso importa para as empresas?

Os dados apontam três efeitos que merecem atenção na gestão financeira e comercial das empresas.

A pressão sobre o caixa ultrapassa o sistema bancário

A inadimplência alcança fornecedores, prestadores de serviços e outros parceiros comerciais. Atrasos podem comprometer o abastecimento, a continuidade operacional e a capacidade de negociação das empresas.

Crescimento das vendas não garante liquidez

Uma empresa pode apresentar crescimento de faturamento e enfrentar dificuldades para pagar suas obrigações. Isso ocorre quando os prazos de recebimento, os estoques e os compromissos financeiros não estão adequadamente equilibrados.

O risco comercial exige acompanhamento permanente

Distribuidores, indústrias e empresas que vendem a prazo precisam acompanhar a qualidade da carteira de clientes. A concentração de recebíveis em clientes financeiramente fragilizados pode transformar crescimento comercial em aumento da exposição ao risco.

Indicadores que merecem atenção

IndicadorResultadoLeitura gerencial
Empresas inadimplentes9,3 milhõesRecorde da série histórica
Crescimento anual14,3%Ampliação dos CNPJs negativados
Dívidas negativadasR$ 244,4 bilhõesVolume expressivo de obrigações vencidas
Registros de dívidas68,2 milhõesCompromissos simultâneos em atraso
Média por empresa inadimplente7,4 dívidasPressão sobre diferentes obrigações
Micro e pequenas empresas inadimplentes8,8 milhõesConcentração nos negócios menores
Dívidas com credores não financeiros75,6% dos registrosExposição além dos bancos

Fonte: Serasa Experian, Indicador de Inadimplência das Empresas, referência agosto de 2026. Divulgação em 20 de outubro de 2026. Nota metodológica: o indicador considera empresas com pelo menos um compromisso vencido cujo não pagamento tenha sido comunicado formalmente pelo credor. Os valores não representam a totalidade das obrigações vencidas existentes na economia.

Orientações práticas da Rumar Consultoria

1

Revisar a projeção do fluxo de caixa

Elabore uma projeção de caixa para as próximas 13 semanas, considerando os recebimentos previstos, os pagamentos contratados e as despesas operacionais. Identifique antecipadamente períodos de insuficiência de recursos e estabeleça prioridades de pagamento.

2

Monitorar o ciclo financeiro

Acompanhe mensalmente o prazo médio de recebimento, o prazo médio de pagamento e o prazo médio de estocagem. Avalie o impacto desses indicadores sobre a necessidade de capital de giro e verifique se o crescimento das vendas está exigindo recursos adicionais.

3

Fortalecer a gestão de crédito e cobrança

Classifique os clientes conforme o histórico de pagamento, a exposição financeira e a concentração de recebíveis. Estabeleça limites de crédito compatíveis com os riscos identificados e acompanhe semanalmente os títulos vencidos. A política comercial deve considerar tanto o volume de vendas quanto a probabilidade de recebimento.

Análise da Rumar Consultoria

A elevação da inadimplência empresarial evidencia uma dificuldade recorrente na gestão financeira: empresas frequentemente acompanham faturamento e resultado contábil com mais atenção do que o comportamento do caixa.

O problema se torna particularmente relevante quando o crescimento das receitas depende de prazos comerciais mais longos, estoques elevados ou antecipação de recebíveis.

Nessas condições, uma operação aparentemente rentável pode consumir recursos financeiros superiores à sua capacidade de geração de caixa.

Os dados divulgados pela Serasa Experian não permitem concluir que a deficiência na gestão financeira seja a causa predominante da inadimplência. Juros, desaceleração econômica, estrutura de custos e características setoriais também influenciam esse resultado.

Entretanto, outra pesquisa da instituição, divulgada em 20 de outubro, oferece um elemento complementar: 47% dos empresários entrevistados apontaram a má gestão financeira entre os principais fatores associados ao fechamento de empresas.

O levantamento ouviu 511 empresas da base de clientes da Serasa Experian, com respostas coletadas em abril de 2026. Trata-se de uma percepção dos participantes, não de uma comprovação estatística das causas de encerramento dos negócios.

Na avaliação da Rumar Consultoria, a resposta gerencial deve começar pela integração entre decisões comerciais, operacionais e financeiras.

Conceder crédito, aumentar estoques, contratar pessoas ou ampliar a capacidade produtiva são decisões que precisam considerar seus efeitos sobre o capital de giro.

Uma gestão financeira consistente permite identificar desequilíbrios antes que eles se transformem em atrasos generalizados.

O que acompanhar na próxima semana

Nos próximos meses, três aspectos merecem atenção: a evolução da inadimplência empresarial, as condições efetivas de concessão de crédito e o comportamento dos prazos de pagamento nas cadeias de fornecimento. Internamente, as empresas devem acompanhar a geração operacional de caixa, o envelhecimento dos recebíveis e a evolução do endividamento de curto prazo.

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