Gaveta antiga aberta com fotografias, cartas e flores secas sob a luz quente do fim de tarde
Mockup realista do livro Antes de Fechar as Gavetas em uma edição ao pôr do sol, com exemplares empilhados, uma gaveta aberta com fotografias antigas e um horizonte ao entardecer
O livro ainda está sendo escrito. Esta é a capa planejada e pode mudar até o lançamento.

Livro sendo escrito

Antes de Fechar as Gavetas

Relações, escolhas e aquilo que deixamos na vida uns dos outros

Marcelo Veloni Curti Verfe

Um livro sobre as pessoas que guardamos dentro de nós, as conversas que adiamos, os vínculos que mudam com o tempo e as marcas que continuamos deixando na vida de quem passa pela nossa.

Verão de 2027

A pergunta que deu origem ao livro

E se não pudéssemos contar indefinidamente com o tempo?

Passamos boa parte da vida acreditando que ainda haverá oportunidade.

Tempo para ligar. Para visitar. Para conversar. Para agradecer. Para pedir desculpas. Para dizer aquilo que sentimos. Para compreender melhor alguém que esteve perto de nós durante anos.

Enquanto isso, vamos acumulando relações como quem acumula gavetas.

Algumas são abertas todos os dias. Outras permanecem fechadas durante anos. Há gavetas que guardam afeto, gratidão e boas lembranças. Outras carregam silêncios, conflitos, distâncias e palavras que nunca chegaram a ser ditas.

Foi dessa imagem que nasceu Antes de Fechar as Gavetas.

Se não pudéssemos contar indefinidamente com o tempo, como estariam hoje as gavetas das nossas relações?

O livro

Sobre o livro

Antes de Fechar as Gavetas é uma reflexão sobre relações, escolhas, silêncios e tudo aquilo que deixamos na vida uns dos outros enquanto o tempo continua avançando.

Ao longo da vida, acumulamos vínculos, conversas adiadas, afetos, distâncias, reencontros e histórias que nem sempre encontram um encerramento claro. Algumas relações permanecem próximas, outras mudam de lugar e certas pessoas continuam presentes muito depois de deixarem o nosso cotidiano.

A partir da metáfora das gavetas que guardamos dentro de nós, Marcelo Veloni Curti Verfe conduz o leitor por relações familiares, afetivas e profissionais, convidando à revisão de ausências, comportamentos, palavras não ditas e escolhas que ainda podem ser compreendidas de outra maneira.

O livro não defende que toda relação precise ser retomada. Algumas merecem cuidado, outras pedem uma conversa e existem também aquelas que precisam apenas encontrar um lugar mais sereno dentro da nossa história.

Antes de Fechar as Gavetas é um convite para olhar com mais atenção para as pessoas que fizeram parte da nossa vida, para aquilo que ainda estamos construindo com elas e para as marcas que continuamos deixando enquanto ainda há tempo.

Gaveta antiga de madeira entreaberta com cartas escritas à mão, fotografias antigas e uma pequena chave de latão sob luz dourada

Relações como gavetas que guardamos dentro de nós.

Paisagem ampla de um lago calmo e montanhas distantes ao entardecer, com luz dourada se espalhando pelo céu azul profundo

Uma provocação

Você também mora nas gavetas de alguém.

Passamos boa parte da vida lembrando das pessoas que deixaram alguma coisa em nós.

Uma conversa. Um gesto. Uma ausência. Um cuidado. Uma decepção. Uma oportunidade. Uma presença que apareceu num momento em que precisávamos dela.

Existe, porém, outro lado dessa história.

Nós também estamos sendo lembrados.

Em algum lugar, alguém guarda uma conversa que tivemos, uma forma como o tratamos, uma presença que oferecemos ou uma ausência que talvez nem tenhamos percebido.

Nem sempre sabemos o espaço que ocupamos nas gavetas dos outros.

O que estamos deixando nas pessoas enquanto passamos pela vida delas?

Os territórios do livro

As relações que atravessam estas páginas

O livro percorre diferentes momentos e vínculos da vida.

  • 01As pessoas que escolhemos
  • 02Os filhos que um dia irão embora
  • 03Enquanto nossos pais ainda estão aqui
  • 04Os amigos que a vida espalhou
  • 05Os anos divididos no trabalho

Também haverá espaço para as relações que evitamos olhar de frente.

Conversas que nunca aconteceram. Erros que demoramos a reconhecer. Pessoas que machucamos. Pessoas que nos machucaram. Relações que terminaram muito antes de conseguirmos aceitar que haviam terminado.

Nem todas as gavetas precisam permanecer abertas.

Algumas relações merecem aproximação. Outras precisam de limites. Há também aquelas que só encontram paz quando reconhecemos que já ocuparam o lugar que lhes cabia em nossa história.

A estrutura do livro

O caminho que o livro percorre

Antes de Fechar as Gavetas foi organizado como um percurso. O livro começa pelas relações que acumulamos ao longo da vida, aproxima o olhar das pessoas que fazem parte da nossa história, entra nas conversas e questões que muitas vezes evitamos e, por fim, muda a direção da pergunta: aquilo que estamos deixando na vida dos outros.

A estrutura continua sendo trabalhada durante a escrita, mas este é o caminho que orienta o manuscrito neste momento.

Acompanhamento do manuscrito

Atualizado em 21 de outubro de 2026

A estrutura abaixo acompanha o desenvolvimento real do manuscrito. Os status mostram em que etapa se encontra cada capítulo e serão atualizados à medida que a escrita avançar.

  • 21 capítulos previstos
  • Capítulos 1 a 10 aprovados
  • Capítulo 11 com redação concluída, em revisão
  • Parte II próxima de ser encerrada
  • Próximo capítulo em preparação: Capítulo 12 — As conversas que nunca aconteceram

Parte I

As gavetas que acumulamos

O início olha para a maneira como construímos nossas relações e para a facilidade com que passamos a acreditar que sempre haverá tempo para cuidar delas.

  • A casa que construímos por dentro

    APROVADO

  • A ilusão do depois

    APROVADO

  • Quando as gavetas começam a se fechar

    APROVADO

  • Nem toda gaveta precisa permanecer aberta

    APROVADO

Parte II

As pessoas que guardamos

O olhar se aproxima das pessoas que ocupam diferentes lugares na nossa história e das mudanças que o tempo provoca nessas relações. É a parte que está mais próxima de ser encerrada.

  • Quem escolhemos para dividir a vida

    APROVADO

  • Os filhos que um dia irão embora

    APROVADO

    Ler trecho do manuscrito
  • Enquanto nossos pais ainda estão aqui

    APROVADO

  • As pessoas que não escolhemos

    APROVADO

  • Os amigos que a vida espalhou

    APROVADO

  • As pessoas com quem dividimos o trabalho

    APROVADO

  • Quem passou rapidamente e ficou para sempre

    EM REVISÃO

    Redação concluída

Parte III

As gavetas que evitamos abrir

Aqui entram as conversas adiadas, os erros, as feridas e aquilo que continuamos carregando porque nunca encontramos uma maneira de lidar completamente com o que aconteceu.

  • As conversas que nunca aconteceram

    PRÓXIMO CAPÍTULO

  • Eu estava errado

    PLANEJADO

  • As pessoas que machucamos

    PLANEJADO

  • As pessoas que nos machucaram

    PLANEJADO

  • As pessoas que perdemos antes de perdê-las

    PLANEJADO

  • A gaveta que leva o nosso nome

    PLANEJADO

Parte IV

O que deixaremos nos outros

O movimento final muda a direção do olhar. Depois de pensar nas pessoas que carregamos conosco, surge outra pergunta: que lugar nós ocupamos na história delas?

  • Você também mora nas gavetas de alguém

    PLANEJADO

  • O inventário que nenhum cartório consegue fazer

    PLANEJADO

  • As histórias que contarão sobre nós

    PLANEJADO

  • Ainda dá tempo

    PLANEJADO

Legenda dos status

Planejado
Ainda não iniciado.
Em redação
Texto sendo desenvolvido.
Em revisão
Primeira redação existente e em processo de ajustes.
Aprovado
Capítulo revisado e aprovado para o manuscrito.

O manuscrito continua em construção. A estrutura poderá evoluir ao longo da escrita, assim como o próprio livro.

Acompanhe esta página para conhecer os próximos movimentos de Antes de Fechar as Gavetas.

Diário da escrita

Bastidores da escrita

Um livro também possui uma história antes de chegar às mãos do leitor.

Antes de Fechar as Gavetas está sendo escrito neste momento.

Ao longo dos próximos meses, quero compartilhar aqui parte desse processo: decisões, dúvidas, mudanças de estrutura, trechos ainda em desenvolvimento e reflexões que surgem enquanto o livro toma forma.

Não quero mostrar apenas quantas páginas foram escritas.

Quero dividir aquilo que acontece por trás delas, porque escrever sobre relações inevitavelmente nos faz voltar para algumas das nossas próprias gavetas.

Abril de 2026

Quando uma pergunta começou a virar livro

O projeto nasceu de uma provocação: se a vida terminasse amanhã, como estariam as gavetas das nossas relações?

A ideia inicial parecia falar sobre finitude. À medida que a escrita avançou, tornou-se cada vez mais claro que o verdadeiro assunto era outro.

O livro não deveria ser sobre morrer.

Deveria ser sobre como estamos vivendo com as pessoas enquanto ainda temos tempo.

O livro continua em construção.

E parte dessa construção será compartilhada aqui.

Caderno aberto em branco com uma caneta sobre a página, à luz da manhã
Todo livro começa com uma pergunta que ainda não tem resposta.
A partir daí, a estrutura começou a mudar. Entraram as relações que escolhemos, filhos, pais, amizades, trabalho, conversas adiadas, erros, mágoas, perdas e uma pergunta que passou a ocupar um espaço cada vez maior no projeto:
Maio de 2026

Quando o livro encontrou seu verdadeiro assunto

A primeira ideia de Antes de Fechar as Gavetas nasceu de uma pergunta bastante direta: se a vida terminasse amanhã, como estariam as gavetas das nossas relações? A provocação tinha força porque retirava uma segurança que normalmente carregamos sem perceber, a sensação de que sempre haverá outra oportunidade para conversar, procurar alguém ou corrigir aquilo que deixamos para depois.

Nos primeiros movimentos da escrita, a finitude ocupava um espaço maior. Aos poucos, porém, percebi que permanecer muito tempo nesse território poderia conduzir o livro para um lugar diferente daquele que realmente me interessava explorar. O fim da vida servia para tornar o tempo visível, mas não precisava se transformar no assunto principal.

O que começou a aparecer com mais força foram as relações que construímos enquanto o tempo está disponível. Pais, filhos, companheiros, amigos, colegas de trabalho, pessoas das quais nos afastamos e outras que continuam presentes mesmo depois de muitos anos começaram a ocupar naturalmente o centro da reflexão.

Essa mudança alterou também a maneira como passei a compreender a metáfora das gavetas. Elas deixaram de representar apenas aquilo que poderia permanecer inacabado no final da vida e começaram a representar tudo o que acumulamos durante ela: afeto, gratidão, silêncio, culpa, distância, boas lembranças, conversas adiadas e relações que já não ocupam o mesmo lugar de antes.

Foi nesse processo que o título Antes de Fechar as Gavetas ganhou sentido. Ele preserva a ideia de que o tempo possui limites, mas desloca a atenção para aquilo que acontece antes desse limite chegar. O interesse passou a estar nas escolhas que ainda fazemos, nas relações que ainda podemos compreender melhor e na maneira como continuamos participando da história das pessoas ao nosso redor.

A morte permaneceu no livro como uma fronteira inevitável do tempo. O centro da escrita passou a ser aquilo que fazemos com a vida, com as pessoas e com as oportunidades de presença enquanto essa fronteira ainda está distante o suficiente para permitir escolhas.

Talvez por isso o próprio processo de escrever este livro tenha se tornado diferente do que imaginei no início. Quanto mais avanço, menos penso sobre como as gavetas estarão no último dia e mais me interessa observar como estamos cuidando delas hoje.

Gaveta de madeira aberta cheia de fotografias antigas, cartas e pequenas lembranças
As gavetas guardam tanto o que vivemos quanto o que deixamos para depois.
É no tempo que ainda temos que nossas relações continuam sendo escritas.
Junho de 2026

Quando a estrutura começou a mudar

Durante algum tempo, Antes de Fechar as Gavetas cresceu como uma reunião de reflexões que pareciam pertencer ao mesmo universo. Havia textos sobre família, filhos, pais, amizades, trabalho, afastamentos, conversas adiadas e relações que continuavam ocupando espaço mesmo depois de terem mudado profundamente.

Os temas conversavam entre si, mas isso ainda não era suficiente. Um livro precisa de mais do que boas reflexões reunidas numa sequência. Ele precisa conduzir o leitor por algum caminho e fazer com que aquilo que aparece em um capítulo modifique a maneira como o próximo será lido.

Foi nesse momento que comecei a olhar menos para cada texto isoladamente e mais para o percurso inteiro. Algumas ideias que pareciam importantes no início estavam aparecendo cedo demais, enquanto outras precisavam de espaço para amadurecer antes de serem apresentadas. A ordem dos capítulos começou a deixar de ser apenas uma decisão editorial e passou a fazer parte da própria narrativa.

A estrutura então começou a se organizar em movimentos. Primeiro, perceber as relações que acumulamos e a facilidade com que imaginamos possuir mais tempo. Depois, olhar com maior atenção para as pessoas que ocupam nossa vida. Em seguida, entrar nas gavetas que normalmente evitamos abrir, aquelas que guardam erros, mágoas, silêncios e conversas que nunca aconteceram.

O movimento final exigia outra mudança de perspectiva. Não bastava pensar nas pessoas que carregamos conosco. Em algum momento, o livro também precisaria nos colocar diante daquilo que nós próprios deixamos na memória, na história e na vida de quem conviveu conosco.

Essa organização mudou a escrita. Alguns capítulos ganharam um lugar mais claro, outros precisaram perder argumentos que pertenciam a etapas posteriores e certas ideias passaram a ser preservadas justamente para que aparecessem somente quando o leitor estivesse preparado para recebê-las.

Aos poucos, Antes de Fechar as Gavetas deixou de parecer uma coleção de textos sobre relações. Começou a ganhar a forma de uma travessia, partindo da maneira como vivemos com os outros até chegar à responsabilidade sobre aquilo que a nossa presença produz neles.

Pilha organizada de páginas impressas do manuscrito sobre uma mesa clara
Um livro não é só o que está escrito, mas a ordem em que as ideias chegam ao leitor.
Foi quando a ordem dos capítulos começou a importar que o livro também começou a encontrar sua forma.
Julho de 2026

Quando percebi que nem toda gaveta precisava ser reaberta

À medida que a estrutura de Antes de Fechar as Gavetas ganhava forma, apareceu uma questão que eu não queria tratar de maneira simplista. Se o livro falasse sobre tempo, relações e conversas adiadas, seria muito fácil conduzir o leitor à ideia de que toda distância deveria ser corrigida e que todo vínculo precisaria ser recuperado enquanto ainda houvesse oportunidade.

A vida real não funciona dessa maneira. Existem relações que merecem uma conversa, pedidos de desculpas que ainda precisam ser feitos e pessoas das quais nos afastamos por motivos que talvez já não façam sentido. Também existem histórias nas quais a distância foi necessária, vínculos que terminaram e situações em que voltar a abrir determinada porta significaria apenas retomar algo que já demonstrou não fazer bem.

Essa percepção começou a modificar alguns capítulos. O livro precisava falar de reconciliação sem transformá-la em obrigação, de perdão sem prometer que tudo voltaria a ser como antes e de limites sem tratá-los como falta de afeto. Algumas gavetas continuariam abertas, outras seriam visitadas apenas de tempos em tempos, enquanto certas histórias precisariam encontrar um lugar no passado sem continuar ocupando o presente.

Foi uma mudança importante porque retirou do projeto qualquer intenção de oferecer respostas fáceis. Organizar nossas relações não significa necessariamente aproximar todas as pessoas que passaram por nossa vida. Em alguns casos, significa justamente compreender o lugar que uma relação consegue ocupar hoje e aceitar que esse lugar pode ser diferente daquele que teve no passado.

Também comecei a perceber que fechar uma gaveta não precisava significar apagar o que aconteceu. Uma pessoa pode ter sido muito importante, ter participado de anos decisivos da nossa história e ainda assim não precisar permanecer no centro da vida atual. Reconhecer o valor do que existiu não exige preservar indefinidamente a mesma forma de relação.

Essa distinção passou a ocupar um lugar importante na escrita. O livro poderia convidar o leitor a olhar para relações adiadas sem empurrá-lo para reencontros que não deseja, assim como poderia provocar reflexão sobre erros e ausências sem ignorar situações nas quais preservar limites foi justamente uma escolha de cuidado.

A metáfora das gavetas também ganhou outra dimensão. Algumas precisam ser abertas porque ainda guardam algo que merece atenção. Outras talvez precisem apenas ser organizadas, compreendidas e colocadas num lugar em que já não interfiram continuamente na maneira como vivemos o presente.

Foi quando compreendi isso que o livro ficou mais próximo daquilo que eu queria escrever desde o início: uma reflexão sobre relações humanas como elas realmente são, com afeto, contradições, permanências, rupturas e escolhas que nem sempre terminam em reconciliação.

Gaveta de madeira entreaberta em uma escrivaninha, com cartas antigas visíveis
Algumas gavetas pedem apenas ser compreendidas, não reabertas.
Nem toda gaveta precisa permanecer aberta para que aquilo que viveu dentro dela continue fazendo parte da nossa história.
Agosto de 2026

Quando percebi que também moramos nas gavetas dos outros

Durante boa parte da construção de Antes de Fechar as Gavetas, o olhar estava dirigido para aquilo que carregamos conosco. As pessoas que marcaram nossa história, as conversas que permaneceram inacabadas, os vínculos que mudaram com o tempo e as lembranças que continuamos guardando mesmo depois de anos.

Esse caminho já oferecia material suficiente para um livro. Ainda assim, alguma coisa parecia incompleta. Pensar apenas nas pessoas que ocupam nossas gavetas deixava de fora uma parte importante das relações, talvez justamente a parte mais desconfortável.

Em algum momento surgiu uma pergunta diferente: se guardamos pessoas dentro de nós, quantas pessoas também guardam alguma coisa de nós?

A partir daí, a perspectiva do livro mudou. Já não se tratava apenas de lembrar quem nos ajudou, quem nos machucou, quem se afastou ou quem deixou palavras que permaneceram. Era necessário reconhecer que também participamos das histórias dos outros e que nossas atitudes, presenças e ausências continuam produzindo efeitos muito depois do momento em que acontecem.

Essa percepção trouxe uma responsabilidade diferente para a escrita. É relativamente fácil examinar aquilo que recebemos das relações. Mais difícil é olhar para a maneira como fomos percebidos por quem conviveu conosco e admitir que a nossa intenção nem sempre determina aquilo que outra pessoa viveu ao nosso lado.

Uma conversa que para nós parecia comum pode ter sido importante para alguém. Uma ausência que mal percebemos talvez tenha sido sentida durante anos. Da mesma forma, um gesto simples, realizado sem qualquer intenção de se tornar memorável, pode ocupar um lugar muito maior na história de outra pessoa do que jamais saberemos.

A partir desse ponto, alguns capítulos ganharam outra função. O percurso não poderia terminar apenas com um inventário das nossas relações. Em algum momento, precisaria devolver o olhar ao leitor e perguntar que tipo de lembrança, segurança, desconforto, cuidado ou ausência ele próprio continua deixando nas pessoas.

Foi também quando a frase "Você também mora nas gavetas de alguém" começou a ganhar força dentro do projeto. Ela não surgiu apenas como uma boa imagem para comunicar o livro. Passou a representar uma mudança importante na maneira como eu compreendia aquilo que estava escrevendo.

As gavetas deixaram de ser apenas lugares onde guardamos pessoas e passaram a formar uma rede de histórias que se cruzam. Enquanto carregamos lembranças dos outros, também seguimos ocupando espaços na memória e na experiência de quem encontrou nossa vida pelo caminho.

Essa descoberta ampliou o sentido de Antes de Fechar as Gavetas. O livro continuava falando sobre tempo, relações e escolhas, mas agora havia uma pergunta adicional que eu já não conseguia ignorar:

Espelho antigo apoiado sobre uma gaveta de madeira entreaberta, com uma fotografia e cartas
Enquanto guardamos lembranças dos outros, também ocupamos a memória de alguém.
O que estamos deixando nas pessoas enquanto passamos pela vida delas?
Setembro de 2026

Quando o tempo deixou de ser apenas uma ideia

Desde o início, Antes de Fechar as Gavetas vinha sendo construído ao redor de uma ideia muito presente: costumamos organizar nossas relações como se o tempo estivesse garantido. Adiamos conversas, visitas, reconciliações e demonstrações de afeto porque imaginamos que haverá outra oportunidade para fazer aquilo que não fizemos hoje.

Até então, eu compreendia essa ideia principalmente como parte do livro. Ela orientava capítulos, ajudava a definir a estrutura e dava sentido à metáfora das gavetas. Em setembro, porém, uma perda próxima e prematura fez com que essa reflexão deixasse de ocupar apenas o território da escrita.

Perder alguém antes do momento em que imaginávamos possível altera nossa percepção sobre muitas coisas. Não porque passamos a viver esperando que algo ruim aconteça, mas porque a ideia abstrata de que o tempo possui limites se torna concreta de uma maneira difícil de ignorar.

A experiência me fez voltar para o livro com outro olhar. Algumas perguntas que eu vinha escrevendo para o leitor também começaram a retornar para mim com mais força: quantas coisas importantes continuamos deixando para depois, quanto espaço concedemos ao que é urgente e quanto reservamos para aquilo que realmente possui significado?

Foi também quando comecei a rever a prioridade que estava dando ao próprio projeto. Escrever um livro convive naturalmente com trabalho, compromissos, viagens, responsabilidades e outras demandas que parecem exigir atenção imediata. Sempre haverá alguma razão plausível para avançar menos naquela semana e acreditar que será possível compensar mais adiante.

A perda tornou esse raciocínio mais difícil de aceitar. Se eu realmente acreditava naquilo que estava escrevendo, também precisava tratar a conclusão do livro como algo importante no presente e não como um projeto que poderia ser permanentemente deslocado por tudo aquilo que chegasse primeiro à agenda.

Não surgiu daí uma necessidade de escrever com pressa. A vontade foi outra: dar ao livro o espaço que ele precisava para ser concluído com cuidado e permitir que chegasse às pessoas enquanto ainda pudesse provocar conversas, reflexões e decisões.

Comecei a pensar também sobre o alcance que gostaria que essa obra tivesse. Até então, minha atenção estava muito concentrada na qualidade do texto, na estrutura dos capítulos e na coerência entre as ideias. Tudo isso continuou essencial, mas apareceu uma responsabilidade adicional: encontrar maneiras de compartilhar o livro com o maior número possível de pessoas.

Não porque eu imagine que uma obra possa resolver relações ou oferecer respostas para experiências tão particulares. O valor que passei a enxergar estava na possibilidade de provocar uma pausa, fazer alguém lembrar de uma pessoa, reconsiderar um adiamento ou perceber que determinada conversa talvez mereça um lugar diferente entre as prioridades.

Foi nesse momento que o projeto editorial começou a se aproximar também de um projeto de compartilhamento. O lançamento deixou de ser apenas a etapa final de um processo de escrita e passou a fazer parte da própria intenção que sustenta o livro.

Se a mensagem central fala sobre não depender indefinidamente do depois, seria incoerente terminar o manuscrito e simplesmente esperar que ele encontrasse seus leitores por acaso. Comecei a pensar em como construir essa aproximação antes mesmo da publicação, dividindo os bastidores, algumas ideias e partes do caminho que estavam dando forma à obra.

A experiência daquele mês também reforçou uma decisão que já vinha amadurecendo. Antes de Fechar as Gavetas não deveria ser um livro sobre o medo de perder pessoas. Seu lugar estava justamente no lado oposto: na possibilidade de prestar mais atenção àquilo que fazemos com as relações enquanto elas ainda fazem parte da nossa vida.

Não podemos controlar quanto tempo teremos com alguém. Podemos, porém, olhar com mais cuidado para a maneira como estamos utilizando o tempo que existe hoje.

Setembro mudou minha relação com este livro. O projeto continuou sendo construído com o mesmo cuidado, mas passou a ocupar outro lugar entre minhas prioridades e a carregar uma vontade ainda maior de chegar às pessoas.

Talvez essa tenha sido uma das confirmações mais importantes ao longo da escrita. Algumas ideias começam como reflexão e, em determinado momento, a própria vida nos obriga a descobrir quanto realmente acreditamos nelas.

Relógio analógico e cadeira de madeira vazia junto a uma janela iluminada
O tempo que temos hoje é o único lugar onde as relações ainda podem ser escritas.
Foi quando o tempo deixou de ser apenas um tema do livro que concluí que também não deveria continuar adiando o próprio livro.

Do manuscrito

Alguns trechos de “Antes de Fechar as Gavetas”

O livro ainda está sendo escrito, mas parte de sua história já encontrou uma forma definitiva.

Os trechos abaixo pertencem a capítulos concluídos e oferecem ao leitor uma aproximação com algumas das relações que atravessam o livro. São passagens do manuscrito, preservadas como foram escritas.

Capítulo 6

Os filhos que um dia irão embora

“Pais podem ajudar muito quando demonstram que não precisam ser necessários para continuar amados. Essa segurança permite que o filho vá mais longe sem carregar a obrigação de voltar constantemente ao lugar anterior.

Isso vale para questões práticas e emocionais. Um adulto não precisa contar tudo aos pais para provar proximidade, assim como não deveria manter problemas abertos apenas para continuar oferecendo a eles uma função. A relação encontra outro valor quando consegue sobreviver à competência do filho. Ele sabe cuidar da própria vida e ainda assim escolhe compartilhar partes dela.

A parentalidade começou na dependência completa. Durante os primeiros anos, quase tudo precisava dos pais, e grande parte do esforço de criação consistia justamente em diminuir essa necessidade de maneira gradual. Existe, portanto, uma contradição inevitável: o sucesso de muitos anos de cuidado aparece quando o filho consegue viver sem recorrer constantemente a quem cuidou dele.”

Capítulo 7

Enquanto nossos pais ainda estão aqui

“Enquanto nossos pais estão aqui, a relação permanece aberta a pequenas mudanças. Podemos conhecê-los melhor, compreender algumas partes da história, oferecer ajuda, estabelecer limites, agradecer, discordar, conversar ou simplesmente continuar compartilhando a vida na medida que faz sentido.

Algumas perguntas serão respondidas e outras permanecerão conosco. Certas mágoas diminuirão, enquanto outras talvez nunca encontrem uma resolução satisfatória. Haverá coisas que diremos a tempo e outras que só perceberemos depois.

Essa imperfeição não significa que falhamos em organizar a gaveta. Significa apenas que uma relação humana não termina como um arquivo no qual todos os assuntos receberam uma classificação definitiva. Enquanto nossos pais ainda estão aqui, existe uma pessoa real diante de nós, não apenas a memória que um dia carregaremos. Ela continua mudando, envelhecendo, interpretando a própria história e construindo conosco aquilo que também será lembrado no futuro.”

Capítulo 9

Os amigos que a vida espalhou

“Pode bastar reconhecer quais dessas relações ainda desejamos manter vivas e perceber se estamos fazendo alguma coisa para que continuem pertencendo ao presente. A vida continuará espalhando pessoas. Mudanças de cidade, trabalho, saúde, família e idade alterarão a frequência dos encontros e criarão distâncias que nem sempre conseguiremos evitar.

Talvez as amizades que levaremos conosco não sejam aquelas que nunca se afastaram, mas as que conseguiram encontrar algum caminho de volta depois de cada transformação. Algumas vezes esse caminho será longo, outras vezes caberá numa conversa que parece retomar exatamente do ponto em que havia parado.

O que mantém a possibilidade aberta é a existência de interesse dos dois lados em continuar conhecendo quem o outro está se tornando. Enquanto isso existir, uma amizade pode envelhecer sem ficar presa ao passado. E talvez seja essa a forma mais bonita de levar alguém conosco: não carregando apenas a lembrança da pessoa que um dia conhecemos, mas continuando presente o suficiente para acompanhar, ainda que à distância, a pessoa que ela continua se tornando.”

Capítulo 10

As pessoas com quem dividimos o trabalho

“É nesse sentido que o crachá possui uma data de validade e a experiência não. A função termina de maneira objetiva, enquanto as marcas produzidas pela convivência seguem outro calendário. Talvez só percebamos a diferença muitos anos depois, quando um nome reaparece e, junto com ele, volta uma parte de quem éramos naquela época.

A carreira ficou para trás, mas a pessoa continua dentro da história. E, em algum lugar da história de outra pessoa, nós também continuamos.”

Estes são alguns dos trechos que já fazem parte de Antes de Fechar as Gavetas. Outros continuam sendo escritos.

Livro sendo escrito

Lançamento previsto para o verão de 2027

Retrato do autor Marcelo Veloni Curti Verfe

O autor

Sobre o autor

Marcelo Veloni Curti Verfe

Executivo, consultor e autor, Marcelo Veloni Curti Verfe construiu sua trajetória profissional ao longo de mais de três décadas trabalhando com empresas, equipes, decisões e pessoas.

Depois da carreira executiva, passou a atuar como consultor, transformando experiências acumuladas na gestão em conhecimento aplicado a organizações e profissionais.

A escrita surgiu como uma extensão desse percurso.

Em seus livros, Marcelo procura transformar experiências profissionais e humanas em reflexões capazes de permanecer além do contexto em que foram originalmente vividas.

Em Antes de Fechar as Gavetas, o olhar se desloca para um território mais pessoal: as relações que construímos ao longo da vida e aquilo que deixamos nas pessoas com quem dividimos parte dela.

ISNI 0000 0005 3167 9965

Lista de interesse

Acompanhe a construção deste livro

Antes de Fechar as Gavetas ainda está sendo escrito.

Até o lançamento, serão compartilhados bastidores da criação, reflexões que deram origem aos capítulos, alguns trechos do manuscrito e as principais etapas do projeto editorial.

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Algumas conversas podem esperar.

Outras talvez não devessem.

Antes de Fechar as Gavetas

Relações, escolhas e aquilo que deixamos na vida uns dos outros

Livro sendo escrito

Lançamento previsto para o verão de 2027

Marcelo Veloni Curti Verfe